Expedição Dominar 400: Aventura nas Serras do Sul

Introdução à Expedição Dominar 400

Da Serra da Graciosa à Praia do Cassino, uma jornada inesquecível por alguns dos cenários mais impressionantes do Sul do Brasil. Quem acompanha meu trabalho sabe que passo boa parte da vida testando motocicletas. No entanto, por mais contraditório que pareça, oportunidades para realizar viagens longas de moto são relativamente raras. Entre compromissos profissionais, lançamentos, avaliações e as responsabilidades da vida familiar, nem sempre sobra tempo para simplesmente abastecer a motocicleta, colocar a bagagem na garupa e seguir rumo ao desconhecido.

Por isso, quando recebi o convite da Bajaj para participar da Expedição Serras do Sul, uma viagem de dez dias atravessando alguns dos destinos mais icônicos do motociclismo brasileiro, aceitei imediatamente. Além disso, havia uma curiosidade pessoal que me acompanhava desde a chegada da marca ao Brasil. Afinal, por que a Bajaj escolheu justamente a Dominar 400, uma motocicleta de proposta essencialmente urbana e rodoviária, para protagonizar expedições que frequentemente incluem trechos de terra, pedras, areia e condições bastante desafiadoras?

A Influência da Índia na Robustez da Bajaj Dominar 400

A resposta viria ao longo dos mais de 2.500 quilômetros percorridos entre São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Antes de embarcar a viagem, eu já tinha algumas pistas. Durante duas visitas à Índia, país de origem da Bajaj, tive a oportunidade de conhecer uma realidade completamente diferente daquela que encontramos no Brasil. Se o trânsito das grandes cidades impressiona pelo volume e pela intensidade, as regiões montanhosas desafiam qualquer veículo.

Muitas estradas apresentam pavimentação precária, erosões, trechos destruídos pelas chuvas e mudanças climáticas constantes, um verdadeiro laboratório a céu aberto. Em um país com essas características e que vende mais de 20 milhões de motocicletas por ano, robustez não é um diferencial. É uma necessidade. Foi justamente essa filosofia que comecei a enxergar na prática durante a Expedição Bajaj Serras do Sul.

O Início da Aventura com a Bajaj

Nossa expedição começou no dia 6 de abril, com saída da concessionária Bajaj Carrera, no Butantã, em São Paulo. O grupo era formado pelas influenciadoras Giovanna Pilhalarmi e Gisele Favaro, do Café Rota Livre, além dos criadores de conteúdo Daniel Paiva, do canal Papo de Carona, Kaique Lampoglia e este jornalista representando a Revista MOTOCICLISMO.

A primeira parada aconteceu em Ilha Comprida, no litoral paulista, onde aproveitamos um almoço à base de peixes e frutos do mar antes de seguir viagem. Mas o primeiro grande desafio estava logo adiante. A descida da Serra da Graciosa aconteceu sob chuva. O tradicional trecho de paralelepípedos, cercado pela Mata Atlântica preservada, exigiu atenção redobrada.

Serra do Rio do Rastro: Chuva, Vento e Frio

No dia seguinte, cruzamos Matinhos, embarcamos no ferry boat para Guaratuba e seguimos rumo a Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina. O destino já seria especial por si só, entretanto, o clima resolveu transformar a chegada em uma verdadeira prova de resistência. Subimos a Serra do Rio do Rastro à noite, enfrentando chuva intensa, vento forte e temperatura baixa.

A escuridão escondia parte da paisagem, mas ampliava a sensação de aventura, por isso cada curva parecia conduzir a um cenário diferente. O frio atravessava as camadas de roupa, enquanto a combinação entre chuva e neblina exigia máxima concentração. Quando finalmente chegamos quase congelados ao Hotel Fazenda Terra do Gelo, fomos recebidos por um tradicional barreado que teve sabor de recompensa, depois de um dia tão intenso, poucos momentos poderiam ser mais reconfortantes.

Serra do Corvo Branco e Morro da Igreja: Paisagens de Outro Mundo

Assim, na manhã seguinte, o cenário havia mudado completamente. O céu limpo revelou algumas das paisagens mais impressionantes de toda a expedição. O roteiro incluiu a Cascata do Avencal, a Serra do Corvo Branco e o Morro da Igreja. A Serra do Corvo Branco impressiona pela grandiosidade dos paredões de pedra que foram talhados à mão, na picareta, nos anos 1940.

A sensação é a de estar numa gigantesca fenda aberta no coração da montanha. Já no Morro da Igreja, o horizonte parece não ter fim. Os campos de altitude se estendem até onde a vista alcança, enquanto os cânions surgem como verdadeiras esculturas naturais moldadas ao longo de milhões de anos. Foi também nesse dia que encaramos um trajeto praticamente integral de off-road, com muitas pedras soltas, irregularidades e trechos de baixa aderência, que colocaram a Bajaj Dominar 400 à prova.

Cambará do Sul e os Cânions Mais Impressionantes do Brasil

De Bom Jardim da Serra seguimos para Cambará do Sul, já no Rio Grande do Sul. Ali conhecemos dois dos cenários mais impressionantes de toda a viagem: o Cânion da Boa Vista e o Cânion Fortaleza. Diante daqueles gigantes de pedra, qualquer pessoa se sente pequena. O vento constante, os campos verdes e os paredões verticais criam uma

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