Introdução
Enquanto a seleção brasileira de futebol encantava o planeta e costurava a quinta estrela na camisa canarinho na Copa do Mundo da Coreia e do Japão, as ruas e pistas do Brasil viviam um momento absolutamente mágico e efervescente. O ano era 2002. Uma época em que a injeção eletrônica ainda era um artigo de luxo restrito às superesportivas, o cheiro de óleo dois tempos resistia bravamente nas esquinas e o mercado nacional transbordava lançamentos que viriam a se tornar verdadeiras lendas.
As Motos Icônicas de 2002
Para celebrar esse feito histórico do nosso futebol, nós vestimos o capacete de teste e garagem para listar 10 motos icônicas de 2002 que todo motociclista respeitado sonhava em acelerar ou guardava na garagem na época do último título mundial do Brasil.
- Honda CBX 250 Twister (a estreia do ano) - Lançada no finalzinho de 2001 já como modelo 2002, a Twister chegou com a missão ingrata de substituir a lendária CBX 200 Strada. Com um design agressivo inspirado nas europeias, painel completo e um motor de 24 cv com câmbio de 6 marchas, ela virou a sensação imediata dos jovens da época e o maior sucesso de vendas da categoria.
- Yamaha YBR 125 (a pedra no sapato da Honda) - Se em 2002 o Brasil dominava os gramados, a Yamaha tentava quebrar a hegemonia da Honda CG no asfalto. A YBR 125, em sua primeira geração com visual arredondado, conquistou o público pelo motor de funcionamento suave com partida elétrica de série (na versão ESD) e uma suspensão extremamente confortável para a buraqueira urbana.
- Honda NX4 Falcon (a aspirante a big trail) - A Falcon era o ápice do desejo para quem queria viajar ou impor respeito no trânsito urbano em 2002. Com seu motor monocilíndrico de 400 cm³ derivado da jurássica XR 600, ela entregava torque bruto em baixas rotações e um visual robusto que fazia qualquer um se sentir o verdadeiro dono da rua.
- Yamaha XT 600E (o trator) - Em 2002, a XT 600E vivia os seus últimos anos de glória no Brasil antes de dar lugar à injetada XT 660R. Era a rainha do deserto nacional. Robusta, carburada, com um ronco monocilíndrico grave incomparável e suspensões que ignoravam qualquer cratera. Uma máquina de pura resistência que remete aos tempos românticos do rali.
- Honda CB 500 (a rainha das nakeds médias) - Se a Hornet ainda era um sonho distante no exterior, em 2002 a soberana absoluta do mercado de média cilindrada no Brasil era a lendária “CBzão”. Equipado com um motor bicilíndrico indestrutível de 54 cv, o modelo era o topo da cadeia alimentar para quem queria viajar com sobra ou impressionar na pilotagem urbana.
- Suzuki GSX-R 1000 Srad (o míssil das superesportivas) - No ano do Penta, a Suzuki ditava o ritmo da ignorância nas pistas de asfalto com a icônica “Srad 1000”. Com uma pintura azul e branca indefectível, ela trazia uma das primeiras gerações com injeção eletrônica de alto fluxo, entregando uma relação peso-potência assustadora para a época e se tornando o maior troféu dos encontros de motos.
- Yamaha RD 350R (a viúva negra ainda assombrava) - A produção oficial em Manaus havia sido encerrada nos anos 90, mas em 2002 a lendária “Viúva Negra” com motor dois tempos bicilíndrico ainda era uma realidade muito viva e temida nas ruas brasileiras. Quem tinha uma unidade impecável e bem regulada em 2002 andava na frente de muita moto de quatro tempos moderna.
- Honda CG 125 Titan KS/ES (a dona do Brasil) - Não dá para falar de motos icônicas de 2002 sem citar a moto mais vendida da história do país. A Titan de 2002 ostentava aquele clássico motor de cabeçote “varetado” (OHV), famoso por ser indestrutível, econômico e o ganha-pão de milhares de brasileiros que começavam a descobrir o mercado de entregas urbanas.
- Kawasaki Ninja ZX-7R (a obra-prima verde) - Em 2002, a Kawasaki mantinha em linha uma das motos mais belas de todos os tempos: a ZX-7R. Com seus icônicos dutos de ar duplos na dianteira e as duas lentes de farol quadradas, ela era o ápice do design de competição japonês e o sonho de consumo de dez entre dez pilotos de motovelocidade.
- BMW R 1150 GS Adventure (a mãe do mototurismo moderno) - Exatamente no ano de 2002, a BMW lançava a variante “Adventure” da consagrada R 1150 GS. Com um tanque colossal de 30 litros, suspensões mais altas e o icônico motor Boxer arrefecido a ar e óleo, ela pavimentou o caminho e estabeleceu o padrão de luxo global para quem queria dar a volta ao mundo – uma herança que começou lá atrás com a pioneira R80G/S de 1980.