Vamos falar de velocidade? Em geral, todos nós reclamamos bastante dos outros, mas será que somos diferentes? A Abraciclo e a revista MOTOCICLISMO, preocupadas com os números alarmantes de acidentes envolvendo motocicletas no país, organizaram um debate com autoridades para falar do assunto. A mediação ficou a cargo de Celso Miranda, jornalista especializado em esportes a motor e também motociclista. Como convidados, estavam: Alexandre Barros, ex-piloto da MotoGP; Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran SP; Dawton Roberto Gaia, superintendente de Planejamento e Projetos da CET; Ana Luíza Martins, neuropsicóloga; e Sergio Oliveira, diretor executivo da Abraciclo.
A Questão da Velocidade nas Grandes Cidades
São Paulo é uma cidade com vários pontos a se tratar, nesta que é a maior metr pole da América do Sul. A situação em outras cidades não é diferente; guardadas as devidas proporções, elas sofrem dos mesmos problemas. Para tentar organizar isso, existem vários órgãos responsáveis que tentam, de diversas maneiras, melhorar o ir e vir dos cidadãos obrigados a rodar pela cidade.
Vamos raciocinar: as leis estão aí, os sinais, as regras de trânsito; temos as diretrizes para rodar com segurança. Contudo, é o ser humano quem acelera, sobe na calçada, bebe e dirige, passa no sinal vermelho e comete outros tantos absurdos. Por sermos o único ser no planeta capaz de raciocinar e ter empatia com o próximo, deveria ser mais fácil resolver essa questão ou, melhor, ela nem deveria existir. A psicologia explica isso?
Estresse e Comportamento no Trânsito
O poder público tenta chegar ao indivíduo para tentar mudar suas atitudes arriscadas. Contudo, sabemos que a velocidade dispara uma descarga de estresse no nosso corpo. Essa, por sua vez, libera adrenalina e dopamina, que são prazerosas para alguns, superando, muitas vezes, a racionalidade que viria do nosso sistema nervoso. A neuropsicóloga Ana Luíza Martins afirma que a adrenalina é uma resposta ao estresse, e que cada indivíduo reage de maneira diferente às situações.
Essa descarga emocional pode ser intensa, mas nem todos interpretam isso positivamente. Um motociclista pode estar pilotando rápido em uma serra cheia de curvas, curtindo, enquanto a garupa está assustada, pedindo para diminuir a velocidade. Isso demonstra que o indivíduo é responsável pela segurança viária, mas reclama dos instrumentos de contenção, como os radares. Muitas vezes, escutamos reclamações sobre multas e a instalação de radares, evidenciando que a velocidade afeta nosso raciocínio e nos leva a comentários que desafiam a lógica.
Limites de Velocidade e Segurança nas Estradas
Falando de velocidade, é evidente que existem limites diferentes para cada veículo e via. Todos sabemos que rodovias não são locais para treinar ou apostar corridas; esses lugares têm segurança projetada para tal. Alexandre Barros, um ícone do motociclismo, ressalta que “lugar de correr é em autódromo. Desde criança aprendi isso. A responsabilidade é de quem usa as ferramentas de transporte”.
A forma de habilitar novos motoristas no Brasil é ultrapassada. É necessário repensar a formação para que os motoristas possam ser mais preparados. O Detran está discutindo a necessidade de intensificar a educação no trânsito, desde o ensino básico, para preparar melhor as pessoas.
Impacto das Multas e Comportamento Social
A psicóloga Ana Luíza Martins acredita ser crucial mudar o comportamento desde a base. Muitos dos acidentes envolvem jovens entre 19 e 29 anos, que agem por impulso e muitas vezes não pensam nas consequências. As multas atuais, em vários casos, não são consideradas punitivas, pois os valores são irrisórios para muitos motoristas.
É necessário que as cobranças se tornem mais significativas para que as pessoas reflitam antes de cometerem infrações. Recentemente, muitos casos de pessoas influentes que cometeram crimes no trânsito e conseguiram fugir das consequências mostram que a situação precisa de uma abordagem mais rigorosa.
A Importância da Campanha da Abraciclo
A Abraciclo, em parceria com a revista MOTOCICLISMO, tem desenvolvido campanhas de conscientização para uma condução segura. O Sim à Motocicleta é um exemplo, onde a entidade busca alertar motociclistas através de mensagens e ações práticas. Em 2025, 15 mil motociclistas foram atendidos, e com a comemoração dos 50 anos da Abraciclo em 2026, ações ainda mais impactantes estão por vir.
A segurança viária é uma preocupação constante e, por isso, iniciativas como “Desacelere, seu bem maior é a vida” têm ganhado destaque. O aumento na frota de motocicletas exige condutores cada vez mais preparados e conscientes. Portanto, a educação no trânsito é fundamental e deve ser uma prioridade nas pautas sociais.