No Brasil, o segmento de custom de média cilindrada tem ganhado cada vez mais espaço, conectando o visual clássico com a proposta de preço e desempenho acessível. Depois de a Royal Enfield lançar a Super Meteor 650, um modelo do mesmo tamanho de motor e estilo, a Kawasaki respondeu com a Eliminator 500 para oferecer uma opção mais direta à nova rival. Este artigo analisa, de forma objetiva, as diferenças técnicas entre as duas Kawasaki para você entender melhor qual moto atende ao seu estilo de pilotagem.
Ergonomia e posição de pilotagem
A Vulcan 650 preserva o DNA das cruisers com uma pegada mais “custom raiz”: pedaleiras adiantadas, banco relativamente baixo e guidão elevado, resultando em uma postura levemente inclinada para a frente. Já a Eliminator 500 aposta em uma postura mais neutra, típica de naked bikes, com pedaleiras centralizadas e guidão um pouco mais baixo, favorecendo agilidade e conforto em cenários urbanos. Em relação à garupa, a Vulcan oferece maior espaço e um assento que, embora pequeno, não é totalmente reto: uma discreta saliência ajuda a manter o passageiro no lugar. Por outro lado, o assento da Eliminator é menor e com formato que exige que o passageiro se segure no piloto para não perder a posição nas acelerações rápidas.
Chassi e suspensão: como cada uma lida com o asfalto
A Vulcan 650 utiliza chassi perimetral em aço, com garfos dianteiros convencionais de 41 mm e um monoamortecedor traseiro posicionado lateralmente, quase na horizontal. O curso da suspensão dianteira é de 130 mm, enquanto o traseiro fica em 80 mm, com apenas ajuste de pré-carga do amortecedor. As rodas são de aro 18” na dianteira e 17” na traseira, com pneus 120/70 e 160/60, respectivamente. A Eliminator 500, por sua vez, tem chassi de aço em treliça, suspensões dianteiras com garfos de 41 mm e um conjunto traseiro biamortecido, sem ajustes. O curso dianteiro é de 120 mm e o traseiro, 90 mm — 10 mm a menos na dianteira e 10 mm a mais na traseira comparado à Vulcan. Essas diferenças influenciam o comportamento em curvas, absorção de irregularidades e a sensação geral de firmeza em diferentes velocidades.
Motor e desempenho: o que cada motor entrega
Ambas as motos da Kawasaki trazem motores bicilíndricos paralelos de refrigeração líquida com oito válvulas e comando DOHC, mas com especificações distintas que moldam sua personalidade.
- Eliminator 500: cilindrada de 451 cm³, potência de 51 cv a 10.000 rpm, torque de 4,3 kgf.m a 7.500 rpm. Diâmetro x curso: 70 x 58,6 mm. Taxa de compressão de 11,3:1. Corpo de aceleração: Ø 32 mm x 2.
- Vulcan 650: cilindrada de 649 cm³, potência de 61 cv a 7.500 rpm, torque de 6,4 kgf.m a 6.600 rpm. Diâmetro x curso: 83 x 60 mm. Taxa de compressão de 10,8:1. Corpo de injeção: Ø 38 mm x 2.
Do ponto de vista prático, a Eliminator tende a exigir giros mais altos para extrair desempenho, ou seja, precisa de mais aceleração para entregar sua potência. Em contrapartida, a Vulcan entrega boa resposta já em regimes baixos e médios, oferecendo pegada mais pronta desde o giro inicial, o que facilita a condução diária e proporciona sensação de força disponível com menos giros de motor. Em termos de experiência, ambas entregam emoção, mas com “temperamentos” distintos: a Eliminator busca o avanço rápido dos giros para evoluir, enquanto a Vulcan mantém uma rotação mais baixa para sustentar a tração com disposição imediata.
Desempenho, comportamento de pilotagem e sensação ao pilotar
Observando a prática, a Eliminator 500 transmite sensação de maior esportividade ao exigir giro mais alto, o que pode privilegiar quem aprecia condução mais intensa em faixas de rotação elevadas. Já a Vulcan 650 tem pegada mais constante em baixas e médias rotações, o que favorece trajetos diários, deslocamentos longos e uma pilotagem menos cansativa em rodovias. Mesmo com diferenças de motor e suspensão, ambas as motos entregam desempenho sólido para o segmento, proporcionando emoção e estilo característico das bikes custom Kawasaki.
Mercado, preço e aceitação no Brasil
No aspecto financeiro, a Eliminator 500 é o modelo mais acessível entre as duas, com preço sugerido de cerca de R$ 41.490, mais frete. A Vulcan 650 aparece em torno de R$ 52.420, também acrescido de frete. Ainda no cenário de opções, a Royal Enfield Super Meteor 650 surge como um competidor relevante, com preço inicial de aproximadamente R$ 34.990 (frete incluído), o que altera o patamar de comparação entre clássicas de estilo semelhante.
No que diz respeito à aceitação de mercado, as estatísticas de emplacamento indicam o favor da Super Meteor 650 em julho, com 639 unidades licenciadas, frente a 97 da Eliminator 500. Embora o preço não seja o único fator, o design clássico e o posicionamento de mercado favorecem a Royal Enfield, enquanto a Kawasaki mantém sua proposta de performance e robustez com a Eliminator, destinada a quem busca uma opção de entrada mais emocional. Em síntese, não é apenas questão de preço: o estilo, a tradição e o conjunto técnico influenciam fortemente a decisão de compra entre Kawasaki Eliminator 500, Vulcan 650 e a concorrência direta da Royal Enfield.